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terça-feira, 15 de dezembro de 2009

“GRANDE DIANTE DE DEUS”



“Apareceu-lhe, então, um anjo do Senhor, em pé à direita do altar do incenso. E Zacarias, vendo-o, ficou turbado, e o temor o assaltou. Mas o anjo lhe disse: Não temais, Zacarias; porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, te dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João; e terás alegria e regozijo, e muitos se alegrarão com o seu nascimento; porque ele será grande diante do Senhor; não beberá vinho, nem bebida forte; e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe” (Lc 1.11-15).


As palavras do anjo Gabriel quando anunciou ao sacerdote Zacarias o nascimento de João Batista. E a respeito de sua vida e ministério o anjo proclamou: "E ele será grande diante de Deus". Mas quem foi João Batista? Numa ótica humana, numa perspectiva de sucesso e projeção ministerial, João Batista foi um fracasso. Seu ministério se deu no deserto da Judéia, era uma voz no deserto, era um homem sozinho, sem ter o apoio duma importante e prestigiada organização com um imponente edifício religioso bem colocado em Jerusalém, que desse certa credibilidade à sua mensagem e sem um bom grupo de louvor (grupo de coral) que atraísse as atenções do povo. Ele não tinha currículo espiritual e ainda por cima teve uma morte prematura.


João, ainda que inteiramente bem-sucedido na perspectiva celeste, foi muito malsucedido pelos padrões terrenos, pobre, e de vida curta.


Ricardo Quadros Gouveia em seu artigo na Ultimato ele comenta:


“Os maiores expoentes da espiritualidade cristã foram todos sofredores. No século 4 Antão vivia numa caverna, miserável, considerado louco, mas venerado por sua santidade. Francisco de Assis, humilhado pelos cardeais e papas, morreu aos 44 anos e é visto por muitos como o maior discípulo de Cristo que já viveu. Juliana de Norwich nunca teve posses, foi considerada herege e, depois, aclamada como sábia. David Brainerd, o missionário americano que abandonou tudo para pregar o evangelho aos nativos de seu país, morreu aos 29 anos e deixou um diário de meditações que até hoje nos comove. José Manoel da Conceição, o padre protestante, que não viajava a cavalo, mas a pé e às vezes descalço, morreu como um indigente aos 51 anos, incompreendido pelos missionários. Como teriam eles se saído numa avaliação de sucesso a partir dos critérios terrestres? Homens de Deus, mas totais fracassos na cidade terrena onde o que conta é a fama, o lucro, as posses, o poder, a saúde, a longevidade e a aparência física”.


João Batista não pedia ofertas para culto, mas pedia solidariedade entre os que o seguiam. A resposta de João à multidão que lhe perguntava: "Que faremos? ... Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos faça da mesma maneira (Lc 3.11). Outro fato interessante digno de nota no ministério de João Batista é que não há registro de milagres ou curas efetuadas por ele. O milagre que ele fazia era a transformação da mentalidade dos seus ouvintes.


Penso que João Batista nada percebia de técnicas de comunicação, que aconselham a apresentar um ar simpático, agradável, a evitar atritos com os seus ouvintes, a nunca criticar, mas elogiar as suas capacidades e comportamentos, a ter uma certa prudência para não os incomodar nem ofender ninguém. Mas João Batista falava sem rodeios e por vezes era rude e direto ao comunicar com seus ouvintes. Sendo um homem isolado, sem nenhuma guarda pessoal nem guarda-costas, usou dirigir-se aos ... fariseus e saduceus, que vinham ao seu batismo, dizendo-lhes: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? (Mt 3.7). Nem o Rei Herodes escapou de ver sua vida íntima cheia de mentira e traição exposta à luz do dia por João Batista. (Lucas 3.19) Enfim, João não era polido quando o assunto era cada um viver o arrependimento que dizia ter experimentado. A.W. Tozer já dizia: "Não somos diplomatas mas profetas, e nossa mensagem não é um acordo mas um ultimato".


Talvez na cabeça de seus pais: Zacarias e Isabel após ouvirem essa "declaração de sucesso" pronunciada pelo anjo do Senhor eles pensassem que João seria um homem de grande envergadura na sociedade de Jerusalém, ou um homem de grande projeção nos meios eclesiásticos.


E Jesus vai se referir a João como o maior dentre os nascidos de mulher. No entanto, esse maior dentre os homens não era "digno de desamarrar as sandálias de Seus pés". Ele dizia: importa que Ele cresça, e eu diminua. João, o homem que Jesus chamou de 'maior', nunca usou títulos e nem referencia alguma de autoridade: Você é Elias? Não! É o profeta? Não! Ele era a voz! Mas tarde, Jesus diria: O maior entre vós, seja o que mais serve! Quando eu olho para essa safra de líderes evangélicos dos nossos dias ouço João Batista pregando com a sua vida dizendo assim para essa turma toda, que para manter a autoridade sobre o povo, precisavam fingir espiritualidade, exigir respeito e submissão até convencerem a si próprios que são melhores e maiores que os outros irmãos. Pois João nos diz que na relação com Deus, somos somente filhos amados e perdoados na Cruz. Não há Pastor, Líder, Bispo, apóstolo ou seja lá o que for. Para Deus há gente que, ao se arrepender, devem viver como arrependidos! A obediência é fruto da gratidão Àquele que o amou primeiro. Por isso, não devemos estimular no Corpo de Cristo a diferença entre um e outro. Todos são iguais e todos merecem respeito.


Não existe aristocracia espiritual na igreja. Não existe uma casta sagrada, superior, beatificada, não há canonização no Reino de Deus, empoleirada no topo dos privilégios especiais. Não hierarquia espiritual na igreja. Não há lugar para estrelismo no Reino de Deus. Não há espaço para pretensões orgulhosas.Todos somo iguais aos olhos do criador. Todos somos sacerdotes reais.


Concluo pensando assim: O anjo disse que João seria grande diante de Deus. E a pergunta é: O que é ser bem sucedido diante de Deus? Cuidado, pode ser que o louvem, lhe admitam, batam palmas para você, enquanto Deus está lhe reprovando, o contrário também é verdadeiro, pode ser que o condenem, seu ministério não tenha nenhuma pompa, nenhuma repercução, nenhuma projeção, nenhuma visibilidade, seu nome não esteja nos livros, você não tenha canal de televisão em horário nobre somente seu, os políticos lhe odeiem, enquanto Deus está lhe aprovando, lhe chamando de servo bom e fiel. Novamente cito o Tozer: "Não é o que o homem faz que determina se sua obra é sagrada ou secular, mas o fator determinante é o seu motivo". Howard Hendricks enfia uma espada em nossa consciência quando afirma: "Minha maior preocupação com você não é que vá fracassar, mas que obtenha sucesso na coisa errada". Já o Ireneu de Leão nos incomoda com a sua reflexão quando também nos alerta dizendo: "O erro nunca se apresenta em toda sua nua crueza, a fim de não ser descoberto. Antes veste-se elegantemente, para que os incautos creiam que é mais verdadeiro do que a própria verdade".




Pr. Marcelo Gomes!


Primeira Igreja Batista de Esperança.

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